Vivências subjetivas da perda: trajetórias de ressignificação vital em diferentes fases do processo de enlutamento
DOI:
https://doi.org/10.53303/hmc.v15i1.1275Palavras-chave:
Luto, Perda de ente querido, Subjetividade, Ressignificação, PsicologiaResumo
Objetivo: compreender as experiências subjetivas do luto vivenciadas por indivíduos que perderam entes queridos em Montes Claros-MG, Brasil. Materiais e Métodos: abordagem qualitativa de caráter fenomenológico, por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco participantes. O estudo, de natureza descritiva e transversal, buscou compreender as experiências de luto de indivíduos residentes em Montes Claros-MG que perderam um ente querido nos últimos cinco anos. As entrevistas foram realizadas de forma remota, gravadas, transcritas e analisadas por meio da análise de conteúdo temática de Bardin. A pesquisa seguiu as diretrizes éticas vigentes e foi aprovada por Comitê de Ética, garantindo sigilo e anonimato aos participantes. Resultados: as narrativas trouxeram à tona que o luto é um processo singular e dinâmico, atravessado por fatores como vínculo afetivo, espiritualidade, estilo de apego e redes de apoio. As falas expressaram sentimentos de dor, solidão e saudade, mas também indicaram trajetórias de crescimento, aprendizado e busca de sentido. Conclusão: os rituais simbólicos, a fé e a escuta clínica sensível mostraram-se como recursos fundamentais para a elaboração da perda e para a reconstrução subjetiva do enlutado. O estudo reafirma a relevância da Psicologia na legitimação do luto como uma experiência humana e transformadora, ressaltando a importância de espaços terapêuticos que acolham o sofrimento sem reduzi-lo à dimensão patológica.
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